Homicídio importa para o eleitor?

Homicídio importa para o eleitor?

Adriano Oliveira – Cientista Político

Flávia Barros – Cientista Política.

 

A pauta da segurança pública está costumeiramente presente nas eleições. Independente do cargo disputado, os competidores falam em segurança. Fazem promessas, apresentam aparentes soluções. Competentes pesquisadores se pronunciam e mostram a importância da agenda segurança pública estar presente no debate eleitoral.

Quando ocorre o debate sobre segurança, a taxa de homicídios sempre vem à tona. Estrategistas eleitorais orientam candidatos a apresentarem soluções para a alta taxa de homicídio e utilizam parcela do guia eleitoral para mostrá-las, além de trazerem depoimentos de parentes de pessoas assassinadas. A campanha eleitoral se assemelha, às vezes, a um programa policial.  

É estratégia eficaz debater taxa de homicídio na campanha eleitoral? No período de 1998 a 2014 ocorreram cinco eleições para o governo do Estado. Neste período, 70% dos governadores foram candidatos à reeleição. Deste total, 64% foram reeleitos – Taxa de reeleição: número dos que foram reeleitos dividido pelo total dos governadores candidatos à reeleição.  

Majoritariamente, os governadores candidatos à reeleição vencem a disputa eleitoral. Portanto, ser incumbente é uma vantagem eleitoral. Mas esta vantagem é reforçada pelo maior ou menor taxa de homicídios? Nos anos de eleição, no período de 1998 a 2014, a média da taxa de homicídio por 100.000 habitantes foi de 29,04 homicídios. A taxa máxima foi de 66,8 e a taxa mínima 5,16.

Diante das taxas de homicídio e do percentual de governadores reeleitos, construirmos a seguinte hipótese: Altas taxas de homicídio diminuem as chances de reeleição dos governadores. Na maioria dos estados brasileiros houve crescimento da taxa de homicídio no período de 1998 a 2014. Ao desenvolvermos teste estatístico (Teste de médias) verificamos que não existe diferença entre a média da taxa de homicídio dos governadores que foram reeleitos e a média dos governadores que tentaram a reeleição e foram derrotados. Portanto, estamos diante de forte indício de que a taxa de homicídio não orienta a escolha do eleitor.

E o que orienta a escolha do eleitor? Este é a pergunta fundamental de qualquer estrategista eleitoral. Eleitores utilizam informações, que podem ser apenas uma informação, que servem de atalho para fazer a sua escolha. E o atalho é conjuntural.

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publicado 20/08/2018 - 01h10