Bolsonaro resiste?

Bolsonaro resiste?

Adriano Oliveira – Cientista Político

Carlos Gadelha – Estatístico

O bolsonarismo insiste em permanecer. As recentes pesquisas revelam que o candidato Bolsonaro mantém estabilidade no percentual de votos. Por consequência, se a eleição fosse hoje, ele estaria no 2° turno da disputa presidencial. Temos a hipótese de que Bolsonaro é uma bolha, pois representa um incipiente antilulismo. Em razão disto, outro anti-Lula, como Geraldo Alckmin, pode superar Bolsonaro.

Qual é a razão da permanência da hipótese referida? Em primeiro lugar, a razão que explica a estabilidade eleitoral de Bolsonaro nas pesquisas. O lulismo disparou. Poderia, se Lula fosse o candidato, vencer a eleição no 1° turno. Ganharia em razão da sua vitimização, da memória que parte dos eleitores tem para com o seu governo e do insucesso do governo Temer entre os eleitores. Mas paralelo ao lulismo, está o antilulismo, e, por enquanto, quem conquista parcela do universo antilulista, é Bolsonaro.

Contudo, e esta é a segunda razão, o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem condições de ser identificado como o anti-Lula. Condições ele tem para tal. A principal condição é o tempo de TV. De acordo com o cientista político Jairo Nicolau, nas eleições presidenciais brasileiras, no período de 1989 a 2014, nenhum candidato com menos de 10% do tempo do Horário eleitoral, passou para o 2° turno. Jairo Pimentel, também cientista político, revela, considerando as eleições municipais, que quanto maior o tempo do Guia eleitoral do competidor, maior a taxa de sucesso eleitoral. Portanto, o tempo de TV, incluso a quantidade de inserções diárias na TV e no rádio, beneficia, nesta eleição, Geraldo Alckmin.

O cientista político Alberto Carlos Almeida revela em livro a padronização geográfica do voto do brasileiro. De modo competente, ele mostra que o Nordeste impulsiona o lulismo e o Sudeste alavanca o PSDB. Se tal lógica permanecer, conclui Alberto, a consequência é que PT e PSDB disputem o 2° turno da eleição presidencial.  

Observem, portanto, que três vetores explicativos conduzem para a seguinte conclusão: Alckmin, o candidato do PSDB, será o anti-Lula, e estará no 2° turno contra o candidato do PT. Neste caso, Bolsonaro não resiste. Ele declina. Entretanto, a nossa hipótese pode ser falseada, isto é: Bolsonaro resiste. Contudo, e se ele resistir, permanecer estável, assim como Alckmin e outros candidatos? Um cenário remotíssimo pode surgir: o sucesso eleitoral do lulismo no 1° turno.

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publicado 04/09/2018 - 12h32