A resistência de Bolsonaro
As últimas pesquisas revelam que Bolsonaro resiste, apesar de todas as ações contrárias a ele. Inicialmente, veio a facada. Em seguida, as declarações do seu candidato a vice-presidente. E, por fim, a publicização de atos passados praticados por Bolsonaro.
Bolsonaro oferta aos seus opositores condições propícias para o ataque. Entretanto, Bolsonaro resiste. A sua bolha não estoura. A sua liderança continua estável. Por isto, Bolsonaro é favorito para disputar o 2° turno com o candidato do PT, Fernando Haddad.
Como explicar o não estouro da bolha de Bolsonaro? Continuo a definir o bolsonarismo como manifestação incipiente contrária ao lulismo. Isto significa que ela não está consolidada no eleitorado. O bolsonarismo, ao contrário do lulismo, não tem raízes e nem memória. Ele é o antilulismo.
Fui indagado, certa vez, por um colega cientista político: O que é o lulismo? Respondi que o lulismo é a manifestação positiva do eleitorado para com o ex-presidente Lula. Pesquisas quantitativas e qualitativas sempre revelaram que os eleitores, em particular os nordestinos, e das classes C e D, sentem saudades das eras Lula. Têm gratidão com o ex-presidente Lula. Como bem frisou uma eleitora participante de um grupo focal: “No governo Lula o Estado bateu em nossa porta”.
Observem que Bolsonaro tem expressiva votação no Sudeste e Centro-Oeste. Entretanto, não tem considerável número de adeptos no Nordeste. Mas o Lula tem. A prova cabal de que o lulismo existe é o pujante crescimento de Haddad no Nordeste.
O bolsonarismo é, portanto, a expressão do antilulismo. Tenho a hipótese de que parcela considerável dos adeptos da candidatura de Bolsonaro não admira as “suas” ideias, em particular, a volta do imposto CPMF ou fim do 13°. Apenas consideram Bolsonaro como o único candidato que tem força para derrotar o PT na eleição. E por que não consideraram o Alckmin?
Como já frisei em outro artigo neste espaço, Alckmin não representou ou representa, a novidade que os não adeptos ao lulismo esperam. Bolsonaro representa a novidade que possibilitará a mudança que impedirá o retorno do PT ao poder.
Restam poucos dias para a eleição. A estabilidade mantém Bolsonaro como favorito a estar no 2° turno da disputa. Mas, indago: As mulheres que dizem “#não a ele”, Doria, Anastasia e os ataques do PSDB podem gerar surpresas?